BOLO CENOURA VEGAN

2/02/2017


Mais uma vez, o que preciso de dizer, sobre cenoura com chocolate?
Outra daquelas combinações que falam só por si.
O que se pede num bolo de cenoura? Textura, humidade e aquele sabor caseiro, o sabor verdadeiro. Pois é, este tem tudo e mais alguma coisa, para além de ser vegan, é fortificado em nutrientes e tem o toque leve e verde que o Alho gosta de dar!

Sopa Tomate Perfeita

1/30/2017

A melhor sopa de tomate é a mais simples. Há dúvidas? Claro que não.

Para mim ingredientes extras apenas servem para desvirtuar e camuflar o tomate, se forem usados tomates com qualidade seja eles de onde vierem é mais que suficiente para deixar o paladar a palpitar.
Só é preciso ter um pouco de cuidado com a acidez característica do tomate quando usado como actor principal, uma coisa também vos digo, o bom tomate tem a acidez muito bem equilibrada com o seu sabor característico.

Muffins Banana Amendoim

1/23/2017
Pouco preciso de dizer sobre esta combinação. Creio que deve ser um post que não necessita de nenhuma introdução, um sabores que combinam lindamente, Muffins Vegan de banana, manteiga de amendoim e aveia, fica um bolo saboroso, nutritivo e de muita energia! O pessoal cá de casa deliciou-se com eles e nem repararam a falta dos ovos.

Bolinhas Energéticas

1/19/2017

Pois é, hoje trago-vos um post totalmente diferente aqui no Alho.
Antes de vos explicar a receita, explico o porquê do mesmo, toda a gente sabe que estando fora de casa entre refeições torna-se complicado comer, muitas vezes somos obrigados a comer rápido e a comer mal. Então o ideal é trazer comida de casa, uns snacks mais saudáveis de preferência,  para não cair na tentação de comer porcaria, toda a gente sabe que quando a fome aperta é quando apetece comer mais mal e "porcamente".

A minha mulher costuma andar sempre com barrinhas energéticas ou de cereais, mas quase sempre passo fome na mesma porque não gosto da textura daquilo, muito seco ou emborrachado, dou uma dentada para enganar mas não aprecio de todo aquilo... 
Para combater isso trago-vos aqui as Bolinhas Energéticas do Alho Francês, ricas em nutrientes e muito saciantes, além disso muito mais baratas do que as malditas barras, tudo natural e com uma textura fresca, deliciosa e pouco doce!


Ingredientes para aproximadamente 20 bolinhas:
(duram uma semana em média, 4 por dia, 2 de Manhã e 2 à Tarde)

- 200gr Ameixas Secas sem caroço
- 100ml Água quente
- 4 colheres sopa Farinha  de Alfarroba
- 4 colheres sopa Sementes de Chia
- 2 colheres sopa Amoras Brancas Iswari
- 2 colheres sopa Amêndoa
- 2 colheres sopa Côco Ralado
- 8 colheres chá Super Vegan Protein Iswari
- q.b. Cacau Magro

Modo Preparação:

1- Começo por colocar as ameixas secas sem caroço com a água quente num blender até ficar líquido e homogéneo.
2- Junto ao preparado interior todos os ingredientes secos e envolvo até formar uma pasta espessa (a chia entretanto vai inchar e absorver alguma da humidade extra).
3- Coloco no frigorífico durante umas 2h para ficar mais rijo.
4- Enrolo uma bolinha com as mãos (estilo tamanho de uma cereja) e rodo sobre cacau magro para não ficarem pegajosas.


Principais Nutrientes

Ameixas Secas  - Ricas em Fibras, Vitaminas do complexo B, A e K, além disso é rica em minerais como Mágnésio, Fósforo e Potássio.

Farinha  de Alfarroba - Rica em fibra, quase 20% da sua composição é de apenas fibra, além disso também tem uma grande percentagem de Cálcio, Potássio e Magnésio, contém açucares naturais baixos em calorias e quase não tem gordura (0,5%), ao contrário do cacau, sendo o seu sabor parecido, é um comum substituto.

Sementes de Chia - Rica em Ómega 3 é um excelente antioxidante, além disso contém minerais como Cálcio, Potássio, Zinco, Ferro e Cobre, é rico em fibras solúveis o que ajuda à sensação de saciedade sem grande volume de alimentos.

Amoras Brancas Iswari - São conhecidas como as Rainhas de todas as Amoras, ricas em Vitamina C, (quase 40mg por cada 100g) mas também contém Vitaminas A, K, B e E, também são ricas em Ferro, com quase 2mg por cada 100g.

Super Vegan Protein Iswari -Uma mistura de 3 proteínas vegetais, Cânhamo, Ervilha e Arroz. Tem um elevado teor de Ómega 3, Cálcio, Ferro, Magnésio, Fósforo, Tiamina, Riboflavina e Potássio, para além destas características, a sua principal fonte é a proteína contendo cerca de 130% da dose diária recomendada (3 a 6 colheres de chá por dia).
As proteínas vegetais são mais facilmente digeridas pelo organismo, têm um elevado teor do aminoácido arginina. 


A mulher arranjou estas caixinhas na Tiger e anda com elas na mala para sempre que tivermos fome fora de casa, também dá para fruta, bolos, etc.

Shiitake com Ananás dos Açores

1/09/2017


As festas de anos quando eu era miúdo, vá petiz, eram sempre nos restaurantes chineses, todos gostavam e era acessível para toda a gente. Recordo-me, para além dos crepes vegetarianos (sim, havia sempre uma versão vegetariana sem aquelas bolinhas pequeninas de "carne") o prato que eu comia mais era a galinha com ananás e amêndoas. O prato vinha para a mesa dentro da casca do ananás. Nessa altura esse, para mim. era um emprazamento genial, divertido no mínimo.


Antes de passar ao prato propriamente dito, é com mágoa que me recordo do chinês da Praça de Espanha, o Muito Bom que era todo um outro nível de restaurante chinês, mil opções vegetarianas, tinha "frango" vegetariano, "bacalhau" vegetariano até depois uns anos mais tarde reabrir só como restaurante vegetariano 100% e ter fechado, um pouco antes de toda esta "moda". Que pena. 

O ananás para mim sempre foi dos meus sabores favoritos, aquele misto de doçura e acidez sempre me seduziu. 

Vamos ser justos uma coisa é Ananás e outra coisa é Abacaxi. 
Devo ser um felizardo, o meu pai na sua área profissional, na área do transporte marítimo, sempre lidou muito com os Açores, eu comia muito queijo da ilha, ananases... 
O ananás dos Açores é um pedaço de ouro que se pode comer. Está anos luz acima dum "simples" abacaxi. Sei que o preço dele não é um preço que "todos podem pagar" mas compensa a nível gustativo. Mal o tive na mão pensei logo num prato estilo chinês. Ainda para mais com os Shiitake do Migaas o prato já estava feito.

Ingredientes para 3/4 pax:
- 1 Ananás dos Açores 
- 250gr Cogumelos Shiitake
- 1 Cebola Branca
- 1 Cenoura média
- 1 dente Alho
- 50gr Bambu em calda
- q.b. Açúcar Mascavado
- q.b. Molho Soja
- q.b. Vinho Branco
- q.b. Vinagre
- q.b. Ketchup
- q.b. Miolo de Amêndoa Tostado 
- q.b. Piri-piri em pó (opcional)



Modo Preparação:
Para que todos os componentes contribuam para o prato no seu esplendor é necessário encarar esta receita em fases. Tanto pelos tempos de cozedura, textura como pelo sabor. Explicando por texto as coisas parecem sempre mais complexas do que na realidade o são. Alguma dúvida sabem como me encontrar, facebook, instagram, e-mail... o Alho está aqui para vocês.

1- Começo por um dos principais intervenientes, o ananás. Descasco-o desperdiçando o menos possível e corto em cubos e numa frigideira quente com um fio muito curto de azeite. Coloco-os e polvilho com um pouco de açúcar (muito pouco porque a doçura do ananás é incrível), o intuito é mesmo o "comer com os olhos". Passar-lhe aquele golden look. Ouro puro. Reservo.
2- Depois de descascar a cenoura corto em cubos com o mesmo tamanho do ananás e coloco-os na mesma frigideira onde corei o ananás com um pouco de azeite. Os sabores não se podem perder. A ideia é saltear a cenoura ficando ainda com um ponto mais para o cru no interior. A textura do que comemos nunca pode ser descurada. Junto a cebola aos cubos e deixo saltear um pouco até ficar mais translúcida. Reservo
3- Ficando só a faltar o outro ingrediente principal, os cogumelos. Sempre a mesma conversa eheh. Azeite bem quente, cogumelos lá para dentro para fazer um valente PSHIIIIIIIIII, junto o alho picado sem pedúnculo e reservo.
4- Para finalizar junto tudo numa frigideira bem quente para temperar e criar o molho envolvente.
5- Quando estiver tudo quente junto o vinho branco, o vinagre e o ketchup, tempero com o molho de soja e deixo apurar um pouco. Os sabores vão se misturar e ficar um belo agridoce. Junto as amêndoas torradas para dar a textura e o sabor a frutos secos, adiciono o bambu em calda e está pronto.


Vegan Petit Gâteau

1/06/2017


Pois é, os franceses chamam-lhe o pequeno bolo, mas a verdade é que isto é um pequeno pecado. Quando o abres e aquela lava de chocolate escorre para o prato, começamos logo a comer com os olhos.
É impossível ficar indiferente a esta pequena delícia que nasceu por um erro de cozinha e se tornou numa das sobremesas mais famosas do mundo.

Hoje trago-vos então a versão Vegan, totalmente livre de crueldade que não difere em quase nada da receita original! Os mais picuinhas nem vão reparar.
Querem melhor? Totalmente saudável, sem doses exageradas de açúcar, com manteiga de cacau que é uma gordura saudável e muito versátil na cozinha visto que não tem sabor.

No outro dia como vos mostrei nas redes sociais (aconselho a acompanhar por lá) fui à Inauguração da nova Loja do Celeiro em Campo de Ourique e rendi-me finalmente à ISWARI, era já consumidor do Açúcar de Côco (maravilhoso) que usei nesta receita também e comprei a Manteiga de Cacau já a pensar numa sobremesa, como sabem eu não sou o maior fã de sobremesas mas um pecado de vez em quando sabe ainda melhor.




Ingredientes para 4 unidades:

- 1 Chávena Farinha
- 1 Chávena Leite Aveia
- 2 cl Sopa Cacau Magro em pó
- 1 cl Chá Fermento pó
- 1/2 Chávena Açúcar Côco Iswari
- 100gr Chocolate Preto 70%
- 100gr Manteiga Cacau Iswari

Molho Framboesa:
- q.b Acúcar de Côco Iswari
- q.b. Framboesas Frescas
- q.b. Água

Modo Confecção:

1- Em primeiro lugar com muito cuidado com a água  (é o arqui-inimigo do chocolate), coloco uma taça por cima duma panela com água a ferver para derreter em banho maria o chocolate preto com a manteiga de cacau. Reservo.
2- Numa batedeira coloco todos os secos peneirando a farinha para ficar mais leve. Verto o leite aos poucos para ir batendo lentamente.
3- Quando o leite estiver bem incorporado começo a deitar a mistura do cacau derretido até ficar tudo homogéneo.
4- Como não tenho aqui formas indicadas cozi o petit gateau na mesma chávena que usei da farinha, só é preciso untar com margarina vegetal e um pouco de farinha para ele sair depois. É necessário dizer que por segurança eu adicionei bastante farinha para ter a certeza que o conseguia desenformar bem, se virem bem nas fotografias nota-se a farinha de lado, dano colateral.
5- Levo imediatamente a um forno pré aquecido a 210º durante uns 12 minutos. O meu forno em casa é muito bom, tão bom quantos os profissionais então o calor é bem uniforme e regular. Nos vossos fornos em casa tenham atenção que ele está pronto quando começa a "rachar" um pouco em cima, quer dizer que o líquido do chocolate quer "ferver". Mas o tempo não deve variar muito. Se correr mal não desistam. Façam como eu, cozam 2 a 2 e assim conseguem ter 2 oportunidades.
6- Depois de retirar do forno deixo repousar uns 2 minutos, para o ajudar a sair, com o auxilio duma faca contorno a chávena.
7- Emprato logo de seguida e estamos prontos para o pecado.
8- Para acompanhar nada melhor que framboesas. Manter tudo simples. Framboesa casa na perfeição com chocolate. Levo um pouco do açúcar numa frigideira quente, quando começa a derreter junto as framboesas e um pouco de água. Mal elas estejam em "papa" o molho está pronto. Adoro porque fica com a textura das sementes.
9- Junto umas amoras brancas da Iswari que são um antioxidante poderosíssimo et voilà.



Cogumelos à Bulhão Pato

1/01/2017

Há alguns dias um amigo meu, o Rui Perez,  colocou uma foto de um prato com cogumelos à Bulhão Pato, uma foto maravilhosa, despertando imensa curiosidade, salivei logo. Em conversa ele sugeriu que eu fizesse para o blog, "à tua maneira, com o toque do Alho Francês" e assim ficou combinado.

Seitan de Natal

12/22/2016

Sugestão de Natal. Uma consoada sem qualquer tipo de crueldade. Algo que se possa festejar sem afectar nenhum ser vivo.

Tomate e Espinafre

12/19/2016

A simplicidade, como já referi aqui imensas vezes, não é assim tão fácil quanto parece. 
Quando estamos a cozinhar pensamos sempre, mais isto mais aquilo e quando damos por nós temos no prato um número infindável de sabores e ingredientes.

Sopa Abóbora Tangerina

11/28/2016


O frio, o frio pede conforto. Pede aquela comida que aconchega corpo e alma. 

Tofu com Broa

11/21/2016
Adoro quando estou em casa, vou à cozinha, paro, olho para todos os lados e cruzo ingredientes e sai me um prato. bla bla bla...
Era um resto de broa, quando me viro vejo os tomates já maduros e pronto. Deixa-me cá aproveitar antes que a broa seque e o tomate se estrague. Broa e tomate combinavam na perfeição.


Outono num Prato - Tofu com Castanhas

11/14/2016

Ninguém tem dúvidas que estamos na época da castanha. Aquela inocente semente que nos conforta a alma nos dias de outono onde o frio começa a aparecer. O cheiro que perfuma as ruas quando o assador de castanhas trabalha, é quase impossível de resistir. Podemos comprar e fazer em casa, sejam cozidas, assadas.. elas são perfeitas para o efeito. Um sabor aveludado e doce indescritíveis.

HUGO NASCIMENTO - Entrevista

11/09/2016
Alho Francês - AF / Hugo Nascimento - HN

Se há pessoa com que me identifico na Gastronomia Nacional é o Hugo Nascimento. Bastaram 2 meses de trabalho com ele para perceber o pequeno génio que é, um Chef com uma consciência brutal e acutilante de como funciona um restaurante de sucesso.
Sustentabilidade, equilíbrio, diversidade, genuinidade e simplicidade.

Isto tudo sem falar no sabor,  para mim é um dos topos na equação Rigor vs Sabor, já vos falei na criatividade? Nem preciso… O trabalho dele fala por si.
Aquela conversa das memórias da quinta, da cozinha da avó, dos cheiros do caminho para a escola aqui não entra, mezinhas? Aqui não entra essa conversa.
A irreverência e integridade do Hugo são intocáveis, a originalidade? Cada prato com o seu toque torna-se em algo diferente do esperado.

Convido-vos a sentir tudo isto em directo na Tasca da Esquina ou na Peixaria da Esquina, ambas em Campo de Ourique, não há limites contudo.... #podeserFASTmastemqueserFOOD.

Passando à frente para mim, AlhoFrancês, é um orgulho enorme ter-te como convidado deste cantinho verde, começar com uma pessoas que admiras, que reciprocamente admira o teu trabalho. É indescritível, começar com alguém assim é difícil. O lado pessoal e emocional, faz travar uma batalha interminável entre a emoção e a razão. 
Vamos começar… 

AF - Quem é o Hugo Nascimento? 
HN - É um curioso e irrequieto. Alguém que gosta de fazer coisas e de dar um sentido ás mesmas. Além disso, é pai de 3 filhos, uma pessoa feliz e apaixonada. 

AF - Quem te queira conhecer o que deve fazer? Onde encontrar o teu trabalho?
HN - Ir ao meu site, www.hugonascimento.pt e entrar em contacto comigo. O meu trabalho está todos os dias na Tasca da Esquina, Peixaria da Esquina e Balcão da Esquina, em Portugal. Além fronteiras, mais concretamente em São Paulo e João Pessoa, também é possível encontrar um pouco de mim, nas esquinas que por lá se encontram. 

AF - As Esquinas não param de aumentar, até em Portugal, um país que edifica barreiras em tudo o que é ideias, qual o segredo?
HN - Ambição, trabalho, muito trabalho e persistência.

AF - 3 pessoas, uma visão, o que vos torna diferentes dos demais? 
HN - Não diria que somos diferentes, somos genuínos. 

AF - Conta-me, o que são todos estes hashtags? #chegadehamburgers, #podeserFASTmastemqueserFOOD, #éprecisoterLATA ?
HN - São provocações e reflectem um estilo gastronómico no qual, sempre que possível, tento prezar a originalidade.  

AF - Onde queres chegar? Consegues quantificar e colocar por palavras?
HN - Quero chegar a casa realizado. Definir felicidade em palavras é, para mim, impossível. 



AF - Qual a tua opinião sobre os vegetais? Onde se inserem? Quando te entra um vegetariano restaurante a dentro, como é tratado? Infelizmente existe muito “uns legumes cozidos, salteados e já está!
HN - Os vegetais fazem parte da paleta de ingredientes que temos para trabalhar. Quando entra um vegetariano no restaurante é tratado como todos os outros clientes, com o máximo de atenção e detalhe. Se, por exemplo, pedirem o menu Fique nas mãos do chefe, recorro à criatividade e aos produtos disponíveis nesse mesmo dia, para lhe proporcionar uma experiência memorável. 


AF - Numa tendência cada vez mais actual, o  que achas que o Alho Francês pode trazer de diferente para os demais? Onde poderá chegar?
HN - Soluções práticas para uma alimentação saudável. O Alho Francês reflete um estilo de vida e, como tal, pode chegar a toda a gente. Mesmo não sendo vegetariano, não temos que comer carne e peixe todos os dias. 

AF - Para terminar deixa-nos algumas palavras sobre o que quiseres. No AlhoFrancês não existe censura nem desejo de agradar.
HN - Tu és aquilo que comes. CHEGA DE HAMBÚRGUERES !!!!


O Hugo a cozinhar o próximo post... 

Cogumelos com Maçã

11/07/2016

Antes do post propriamente dito deixo-vos um pequeno texto dum grande amigo meu sobre cogumelos. Vivido na primeira pessoa. Não dá para escrever um texto "pequeno" quando a paixão que existe é deste tamanho e desta intensidade.

Quando me iniciei no vegetarianismo rapidamente descobri o valor dos cogumelos: facilmente substituem carne em receitas vulgares satisfazendo de sabor e textura, e são uma fonte de alguma proteína e de vitaminas do grupo B e D. Sei hoje que têm um valor nutricional mais amplo, benefícios à saúde e até propriedades medicinais.
Selvagens ou de cultivo, existem milhares de espécies de cogumelos comestíveis, com aromas, texturas e formas variadas, e de usos muito diversos na cozinha. Há muito a dizer sobre cogumelos e como os cozinhar, mas em jeito de introdução vou vos falar um pouco sobre cada espécie usada nesta receita e espero deixar-vos curiosos a descobrir mais:

Cogumelo Eringi (King Oyster) – Um cogumelo com pé grosso e carnudo, permite o corte de fatias mais largas que se destacam no prato. O aroma subtil engrandece quando cozinhado. Espécie apreciada e cultivada na Asia Oriental, é de facto nativa da Região Mediterrânica e podem ser encontrados em habitat natural em Portugal onde são conhecidos por “Cogumelo dos Cardos”.

Trombeta Negra/Trombeta da Morte: Não se assustem, é um dos melhores cogumelos gourmet e difícil de confundir com qualquer espécie tóxica. Tendo virtude na cor negra que contrasta com outros ingredientes, a maior virtude é o sabor. Sabor esse que fica mais intenso se procedermos à desidratação para utilização posterior, por exemplo a condimentar molhos, sopas ou guisados.  

Shiitake – Nativo da Asia Oriental, cultivado no Japão desde o século XIII e actualmente cultivado em todo o mundo. A textura carnuda e o sabor a corresponder fazem destes um perfeito substituto de carne que me convenceu facilmente, são um dos meus favoritos. Tradicionalmente usados em variadas receitas asiáticas, eu prefiro-os simplesmente salteados ou até grelhados.

Cantarelos (Giroles) – Um dos 4 cogumelos gourmet mais apreciados. A textura carnuda e suave é incomparável.  O aroma delicado persiste mesmo após cozedura longa, tendo notas frutadas e havendo até quem os use para sobremesas! A cor amarela e forma persistem também à cozedura, pelo que é um ingrediente muito apelativo em qualquer prato.

Cantarelos-Tubo (Grey/Winter/Trumpet Chanterelles) – familiar próximo dos Cantarelos, tem aroma bastante semelhante, e embora com menos carne mantém também a forma quando cozinhados, sendo excelentes em sopas, guisados e pastas. Um dos melhores cogumelos para conservar por desidratação.

Portobello – os cogumelos “Marron” e Portobello são de facto a mesma espécie mas em fases de crescimento diferentes. E os clássicos cogumelos de botão branco são também a mesma espécie numa variante de cultivo. Apesar de ser a espécie de cultivo mais comum não é por acaso que se cultivam pois têm uma excelente textura, um aroma bom embora subtil, e muita versatilidade: burgers, grelhados, assados, espetadas, recheados… 


Esta receita é portanto um irresistível desfile de texturas e aromas. Obrigado ao Alho Francês pelo convite para participar e bom apetite a todos!

Fábio Godinho

No Domingo (dia 30) fui ver um evento que decorreu no Chapitô à Mesa, Anel de Fadas - Festa dos Cogumelos. nomeadamente para ver e ouvir o testemunho de uma das grandes, senão A responsável pela actualidade da gastronomia nacional. Falo de nada mais nada menos do que Maria de Lourdes Modesto, se não conhecem recomendo exaustivamente uma pesquisa na internet. Conta neste momento com 86 anos e continua com uma lucidez e uma acutilância de discurso fenomenais e um humor requintado.

Brownie Frutos Vermelhos

10/31/2016

Para quem ainda não sabe, estive a viver na Noruega nos últimos 6 meses, cheguei a Portugal há poucos dias.
Pelos seus bosques abundam os frutos vermelhos, as framboesas, os mirtilos, as amoras pretas e brancas... Durante épocas bem demarcadas (aqui levam-se muito a sério, são um importante meio de subsistência) é só sair da porta para fora andar um pouco e um dos tesouros que a terra nos dá está à mão de semear (colher). Com a rotina de ir passear a Lola, leva-se um saquinho para as tarefas dela e outro para a colheita!  ahah a vida no campo.

Há inúmeras maneira de os utilizar, petiscar como se fosse um snack, fazer compotas, batidos, etc.

Começou a ficar bastante frio, ao ponto de chegar aos negativos à noite, e o que apetece? Sinceramente, bolos e chás...  Só tinha chás, tinha de tratar do bolo.
Um que desse para comer, comer, repetir, guardar no frigorifico e meter no microondas e aquecer um pedaço tal como saído do forno.

Decidi fazer um brownie de Frutos Vermelhos e Cacau. Parece-vos bem? Receita muito simples e rápida.
Vegan claro e muito reduzido em termos calóricos. Cacau em vez da tradicional barra de chocolate e açúcar mascavado mas só na calda!




Preparação:

1- Começo por colocar os frutos vermelhos numa panela, adiciono o açúcar mascavado e um pouco de água. Deixo cozinhar. Os frutos irão libertar liquido. Retiro quando tiver consistência de xarope. Interessa ter líquido para "molhar" o brownie, a quantidade de açúcar fica ao gosto de cada um, é uma questão de ir provando, eu prefiro assim para o ácido por isso coloquei pouco açúcar, deixo arrefecer.
2- Junto todos os ingredientes secos numa taça de plástico misturando os até ficarem homogéneos.
3- Junto o xarope dos frutos vermelhos aos secos misturando com uma vara e coloco depois a margarina vegetal derretida.
4- Unto uma forma rectangular larga com farinha e margarina e deito o conteúdo da taça.
5- Coloco em forno pré-aquecido a 170ºC durante uns 25minutos.
6- Para verificar se está bem cozido espeto um palito no ponto mais alto, se sair seco é porque está no ponto.

Ingredientes (para uma travessa 15cm x 25cm, dá para 6 fatias generosas):

- 1 Copo Farinha 
- 1 Copo Cacau Magro em Pó
- 100gr Margarina Vegetal
- 1 cl Chá Bicarbonato Sódio
- 3 Copos Molho Frutos Vermelhos *
- 1 cl Chá Sal
- q.b. Farinha para untar
- q.b. Margarina Vegetal para untar

Notas :
- O copo que usei tem cerca de 200ml, um copo normal de água, mais do que a quantidade interessa a proporção dos ingrediente
- 25min forno a 170ºc
- Travessa larga para ficar massa com altura baixa


*Molho Frutos Vermelhos - 2 Copos para a massa e 1 para o Molho do Brownie
- Fiz o molho com variedade de frutos vermelhos, para o fazerem com Mistura de Frutos, recomendo 1kg da mesma, 100ml de água e 2 colheres de sopa de açúcar mascavado. Torna-se mais prático.

Jardineira de Soja

10/17/2016

O nome assusta de tão boring que é, parece aquela comida pesada que se odiava em criança!
Recordo-me de há uns anos valentes quando comecei a ter contacto com o pessoal vegetariano,  ia almoçar à SPN em Lisboa (na rua que desce para o cais sodré, tinha umas escadas intermináveis quase em caracol e éramos todos olhados de lado por usar roupa larga e ouvir música pesada, bons velhos tempos) e os pratos que havia sempre (pelo menos que me recorde) eram o rancho de soja e a jardineira de soja. O primeiro que comi foi a jardineira e odiei. Deslavada insípida, a soja aborrachada, não gostei mesmo nada e na altura não tinha qualquer ligação com a cozinha, era apenas um normal consumidor. Recordo-me de tirar um pouco do rancho dum amigo e adorar, tinha aquele sabor característico, aquele sabor que interiormente estava a espera, devia ser dos condimentos do chouriço de soja. Cada vez que lá ia comia sempre o rancho quando havia.

Polenta de Shittake

10/10/2016

Polenta? Que posso dizer da polenta. Já toda a gente sabe que os italianos não brincam em termos de sabor. Conjugação de sabores simples, não muito mais de 2/3 ingredientes por prato. A polenta é mais um caso de simplicidade perfeita. Uma elegância, um sabor indescritível.

A Falafel Saudável

9/26/2016

A Falafel é uma bolinha amorosa que provém do Médio Oriente. É constituída por grão de bico ou fava. (Wikipedia). Exceptuando a palavra amorosa que é da minha responsabilidade. 

E amorosa porquê? É uma bolinha redondinha, sem crueldade, plena de sabor, que vai satisfazer com toda a certeza quem a ingerir. Quem sofre de gula certamente arrepender-se-á, parecem pequeninas, inocentes mas vão satisfazer na plenitude, parece que não enche mas dado a sua constituição vão " EMPANTURRAR" !

O meu Quadro.

9/15/2016
Inspiração parte II
Este é o segundo prato (primeiro >>> Cogumelos Frescos) que surgiu na minha cabeça quando soube que aquele meu colega se ia embora. Um aliviar de peso nos ombros. Normalmente a chegada à meta é mais difícil pelo cansaço, neste caso foi o contrário... A meta agora parece tão perto, vai chegar ainda mais rápido.
Estamos em Setembro e mais uns dias começo a viagem para voltar a Portugal!


Massa Mediterrânica

9/12/2016
Comida de desenrasque. Sempre vi as massas como algo que se faz rápido e que satisfaz bastante. Daquelas que aquecem a alma. Comer massas é tipo ir ao posto de gasolina e abastecer o depósito de energia.